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15 junho, 2013

Muito câncer para poucos habitantes



Esses dias eu estava conversando com meu marido e ele despertou minha atenção para algo muito sério. Ele me perguntou se eu já havia parado para pensar na quantidade de gente que está com câncer aqui em Triunfo. De repente percebi que a cada semana que passava eu citava a ele pelo menos uma pessoa a mais que havia descoberto a doença.

Se pararmos para observar veremos que conhecemos muitas pessoas, muitas mesmo, de ambos os sexos, de todas as idades, adultos, idosos, jovens e crianças, que estão enfrentando os mais variados tipos de câncer aqui em nosso município. Algumas dessas pessoas sem nenhum histórico familiar que justifique o aparecimento do infeliz. Não sou expert no assunto, não domino dados, não tenho nenhum documento que comprove as minhas reflexões, hipóteses e especulações. O que tenho são conhecidos, amigos, familiares que enfrentaram ou estão enfrentando algum tipo dessa doença. Em minha opinião é alto demais o número de pessoas com câncer em Triunfo, considerando o número de habitantes do nosso município. Relacionei as pessoas que conheço, e principalmente as que conheço muito bem, e comecei a tentar entender a causa do aparecimento do câncer em suas vidas, principalmente quando se trata de uma criança de poucos anos de vida e até então gozando de plena saúde, sem fumar, sem beber, sem histórico familiar, sem uma justificativa plausível.

Meu marido, nascido e criado em Porto Alegre, morador de Triunfo há três anos, portanto sem conhecer muitas coisas daqui, me perguntou se não haveria a possibilidade de o grande número de pessoas com câncer ter alguma relação com a proximidade do Polo Petroquímico. Eu não sei. Como saber? Mas com certeza muitas pessoas têm a mesma dúvida. Eu até pensei se contaria isso aqui, porque sempre há aqueles mal intencionados que saem correndo para os grupos do Facebook dizer “Viram que absurdo? A jornalista está acusando o Pólo!”. Não, eu não estou fazendo isso, estou relatando um fato e expondo minha opinião, e em minha opinião pode sim ter alguma relação, mas como saber? Se tiver, jamais admitirão isso. E o que fazer? Mandar o Pólo embora? Óbvio que não.
 

 Comecei então, há quase um mês, minha investigação sobre o câncer em Triunfo, mas infelizmente não há base de dados, nem no Município, nem no Estado que possa me apresentar informações concretas. O que encontrei foi uma notícia da Zero Hora, de 08 de abril deste ano, fazendo uma comparação entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. São Paulo, com mais de 41 milhões de habitantes, é líder nacional para as ocorrências de câncer no país. Segundo o veículo, o volume de casos da doença, estimado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), aponta tendência de alta quando considerada a proporcionalidade populacional entre os dois estados, salientando que o RS tem uma população bem menor, com aproximadamente 10,7 milhões de pessoas. Não me espantaria se descobrisse que em uma comparação entre Triunfo e Porto Alegre, onde o número de habitantes também é bastante diferente, se apresentasse uma situação semelhante.






Também encontrei uma reportagem da Revista Marie Claire, de julho de 2012, sobre o caso do creosoto derramado no solo do Barreto. Em entrevista à revista, o então diretor presidente da Fepam, Carlos Fernando Niedersberg, afirmou que Triunfo tinha o solo mais contaminado do estado e que havia contaminação também no lençol freático, mas nada tão grave quanto à do solo. Sim, Niedersberg, o mesmo que foi preso pela Polícia Federal por pagamento de propina a agentes públicos visando à facilitação na obtenção de licenças ambientais em benefício de empresários. Pois é, como saber se o caso do Barreto não era mais grave ainda do que relatado? Além disso, com as enchentes, a água do rio Taquari subia até tocar o solo e depois corria em direção ao Jacuí onde está a estação de tratamento da Corsan, que abastece toda a cidade. Conforme a revista, a advogada Gisele Milk movia na época mais de cem ações, cada uma representando uma família diferente, vítimas da contaminação.

 Se pelo ar, pela água ou por qualquer outro fator eu desconheço, mas o número de pessoas com câncer em Triunfo tem chamado minha atenção e me deixado preocupada, pois em uma cidade onde eu conheço todo mundo, quase todo mundo que conheço tem câncer ou conhece alguém que tem. Continuarei em busca de dados concretos sobre essa questão que merece atenção de toda a população e das autoridades competentes o mais rápido possível. É preciso que haja uma mobilização, um verdadeiro interesse a respeito, é preciso que as autoridades competentes voltem seu olhar para esse assunto, procurem suas causas e providenciem uma maneira de evitar maiores consequências. Sei que Triunfo oferece toda a assistência nessa área, mas todos sabemos que a prevenção é o caminho, não o tratamento.




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