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13 abril, 2013

Posso emitir opinião?



Antes de mudar o foco para outros assuntos, como pediu meu pai (risos), preciso abordar um assunto que tem chegado distorcido ao conhecimento dos triunfenses, levando muitos a fazer juízos equivocados sobre a questão. A respeito da minha última coluna “Há imparcialidade no jornalismo?” recebi um e-mail com uma frase e a pergunta sobre o que acho dela. A frase, que me chocou, diga-se de passagem, dizia o seguinte: “Como todos sabem um jornalista não tem opinião. Textos opinativos são ótimas crônicas, porém não podem ser considerados textos jornalísticos”. O que eu acho a respeito? Que quem disse isso obviamente não é jornalista, pois todo jornalista sabe que o jornalismo opinativo é um dos gêneros jornalísticos, assim como o jornalismo informativo e o interpretativo.

Sim jornalista tem opinião. Sim jornalismo opinativo é jornalismo. Na Unisinos estudamos esse gênero jornalístico na disciplina de Redação Jornalística III. E para deixar mais claro ainda, a crônica é um dos tipos de textos opinativos, assim como o editorial, o comentário, o artigo, a resenha, a coluna e a charge.

Muito antes de ser informativo ou interpretativo o jornalismo foi opinativo, como se via no panfletismo ideológico da Revolução Francesa. Na segunda metade do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, o atual jornalismo empresarial dos EUA não destoava de escolas jornalísticas da época, como a francesa e a inglesa: praticava-se um jornalismo muito mais opinativo do que informativo.

No livro Jornalismo Opinativo, José Marques de Melo assinala que há dois núcleos de interesse em torno dos quais o discurso jornalístico se articula: a informação, cujo interesse é saber o que se passa e a opinião, cujo interesse é saber o que se pensa sobre o que se passa. 
 
O jornalismo tem que ser mais que um cão-de-guarda da sociedade, tem que ser um cão-guia, orientando e educando, por isso tem o direito e o dever de opinar. E como disse Claudio Abramo, um dos mais respeitados jornalistas de todos os tempos, falecido em 1987: “A posição que considera o jornalista um ser separado da humanidade é uma bobagem. A própria objetividade é mal administrada, porque se mistura com a necessidade de não se envolver, o que cria uma contradição na própria formulação política do trabalho jornalístico. Deve-se, sim, ter opinião, saber onde ela começa e onde acaba, saber onde ela interfere nas coisas ou não”.

O jornalista é um formador de opinião, e ele geralmente faz isso emitindo a sua, não apenas informando. Não há nada de errado em apenas informar. Não há nada de errado em opinar. Ambos são gêneros jornalísticos. É errado é dizer o que não se sabe.

"Jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. (Claudio Abramo)

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