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10 abril, 2013

O que é ser jornalista?


 
Nos últimos tempos tenho visto um interesse crescente das pessoas pelo Jornalismo e acompanhado discussões em blogs e redes sociais, além de ser frequentemente procurada por jovens triunfenses que desejam fazer faculdade de Jornalismo e querem conhecer melhor a profissão. Vejo também muita confusão a respeito do que é jornalismo, de como fazer jornalismo, quais suas funções, o que pode ou não um jornalista, quais os limites da imprensa e vejo, principalmente, muita confusão entre o que é prática jornalística e liberdade de expressão. Portanto, ao ser convidada para escrever essa coluna, resolvi esclarecer alguns equívocos e distorções, muitas vezes cometidos pelos próprios profissionais, por motivos que prefiro não cogitar. 

O jornalista não é um super herói, e para os que discordam ou ainda não sabem disso recomendo o livro Complexo de Clark Kent – São super homens os jornalistas?, de Geraldo Vieira Filho. Eu sei... Também me decepcionei um pouco quando o li, porque eu achava que com uma capa vermelha poderia voar e salvar o planeta, mas pelo menos a descoberta que o livro traz nos deixa mais centrados no mundo real e nos obriga a trabalharmos mais ainda pelos nossos objetivos.

O jornalista também não é um ser privilegiado, ele tem informação privilegiada, mas não é mais importante nem melhor do que ninguém: não tem vaga própria nos estacionamentos, não é superstar, nem tem mais proteção ou mais privilégio das leis por ser jornalista. Caco Barcellos, por exemplo, um ícone do jornalismo brasileiro, teve que passar um tempo fora do Brasil após o lançamento do livro Rota 66, que denunciou a polícia de São Paulo, pois sua vida corria riscos. Ele não teve força policial especial alguma ao seu lado, nem lei específica que dissesse que ele era intocável. Podia ser fotografado, ter sua imagem gravada em vídeo, em fim, nada o diferenciava de um ser humano qualquer. Esse é o preço que se paga pelo jornalismo de denúncia, mas não torna o jornalista mais especial.
Repórter, repórter fotográfico, editor, redator, pauteiro, assessor de imprensa são apenas algumas das muitas funções que um jornalista pode exercer e nenhuma delas o faz mais ou menos jornalista. 

Com a decisão do STF em relação ao diploma (que será em breve derrubada) muitas pessoas acham que agora qualquer um pode ser jornalista. Não é bem assim. Os Sindicatos de todo o Brasil e a Fenaj – Federação Nacional de Jornalistas, na luta pela obrigatoriedade do diploma, não emitem nenhuma carteira profissional sem apresentação de diploma de ensino superior, e a grande maioria das empresas só contrata profissionais capacitados, então, futuros jornalistas, não desanimem. Sem contar que os conhecimentos adquiridos em uma universidade são valiosíssimos e fazem muita diferença.

O fato de ser jornalista não garante que todo mundo tenha a obrigação de dizer o que você quer saber, muito menos que o jornalista pode entrar onde bem entender usando como pretexto a liberdade de imprensa, porque quando alguém não quer te dar uma informação que pertence a ela, ou não te convidou a entrar no espaço dela e você quer obriga-la, isso não é liberdade de imprensa, é falta de respeito e de profissionalismo. Conforme o artigo 8º do capítulo 2º do Código de Ética do Jornalismo Brasileiro, o jornalista tem a obrigação de, no exercício da profissão, respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão. Fora do exercício da profissão também, claro, mas isso é obrigação de todos nós, o que um jornalista não pode é usar a profissão para atacar a honra das pessoas.

Liberdade de imprensa não é sinônimo de anarquia. A imprensa tem livre acesso em todos os locais de domínio público e às informações públicas de interesse coletivo. Menos que isso é censura, mais que isso, se não for privilégio nem mexerico, é abuso.

E por fim, jornalista não é Barsa. Um jornalista não tem que saber tudo, pelo contrário, a função dele é exatamente pesquisar, perguntar para quem sabe, ir atrás do conhecimento e da informação para compartilhá-los com o seu público.

E ser jornalista é, acima de tudo, ter que se conter muito para não escrever demais! (risos)

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