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12 abril, 2013

Há imparcialidade no jornalismo?




Imparcialidade. Está aí um tema que todos discutem, todos acham que sabem muito sobre imparcialidade no jornalismo, o povo quer que seja assim (e tem razão de querer mesmo), mas jornalista de fato e de direito, aquele que não faltou às aulas para ficar no barzinho, sabe que a imparcialidade é uma das primeiras “teorias” estudadas na faculdade. Lembro bem daquela aula e da minha reação, fiquei c-h-o-c-a-d-a quando o professor fez a revelação, bombástica para calouros apaixonados pelo jornalismo, diga-se de passagem.

Sim, a imparcialidade é um mito, como disse o renomado jornalista Ricardo Noblat em seu blog: “ninguém é imparcial, porque você é obrigado a fazer escolhas a todo instante, e ao fazer toma partido”. A imparcialidade já cai por terra quando um jornalista escolhe “o que noticiar”, pois ele está decidindo o que é ou não notícia, o que deve ou não ser de interesse de determinada classe e o que as pessoas devem ou não saber, de acordo com critérios que ele utiliza e que só ele conhece. Depois, o jornalista escolhe “que palavras usar” e todos sabemos o poder que as palavras têm. Uma palavra substituída, uma palavra mal colocada, um sinônimo inadequado e o sentido muda. Outra questão a ser definida pelo jornalista é “quando noticiar”. Muitas vezes os jornalistas podem engavetar uma notícia esperando um determinado momento de torná-la pública. Quem leu o relato dos professores da USP que acompanharam uma reunião de pauta do Jornal Nacional, quando William Bonner chamou o telespectador de Homer Simpson, sabe do que estou falando. Se não sabe digite esse endereço em seu navegador e confira aqui. Dois anos depois desse relato, a Globo noticiou a venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts, notícia que no momento da reunião de pauta do JN não interessava. Pois é!


Nem nas fotografias há imparcialidade, pois através do visor de sua câmera o repórter fotográfico decide “o que” enquadrar e “de que” ângulo enquadrar. Depois ele escolhe quais fotografias serão vistas e quais serão engavetadas. E na TV? Lembram-se daquele episódio em que mulheres da Via Campesina invadiram o horto florestal da Aracruz, em 2006? As imagens que a RBS escolheu para exibir mostravam um bando de mulheres praticando um horroroso ato de vandalismo. Na faculdade, além de assistirmos novamente às imagens exibidas pela Rede Globo, assistimos pela primeira vez as imagens exibidas pelo SBT, que mostrou o outro lado da moeda, o lado covarde de guardas e funcionários que atacaram as mulheres antes da invasão. Não que a reação delas destruindo o laboratório tenha sido justificada por isso, vandalismo é vandalismo, mas o que está em questão é a imparcialidade, não é? Então se dependêssemos apenas da RBS conheceríamos uma única versão desse fato, porque eles escolheram “que imagens exibir”. E isso tem ligação direta com a relação jornalismo x publicidade. Nos dias seguintes à veiculação, anúncios da Aracruz estampavam páginas inteiras da Zero Hora. E isso não acontece apenas aqui e muito menos em grandes veículos, acontece no país inteiro e em jornais do interior também. Um jornal que só veicule notícias de oposição política, por exemplo, não tem moral alguma para falar de um jornal que só veicule notícias de situação política, porque imparcialidade é mostrar os dois lados e isso, hoje em dia, está muito difícil.
 
Enfim, o jornalista não é um robô, ele tem opiniões, tem preferências, torce por um time de futebol, tem uma crença religiosa, prefere um partido em detrimento do outro e jamais será totalmente imparcial. Apesar disso, a imprensa tem sim que fazer o máximo de esforço, para ser o mais isenta possível e isso se faz dando igual voz a dois lados distintos e antagônicos, não levantando a bandeira de uma causa da qual uma grande parte de pessoas discorda. Fazer isso e se dizer imparcial, é ser hipócrita e mentiroso.

E como diz Ricardo Noblat: “Se me limito a dar uma notícia devo ser objetivo. Cabe aos leitores tirarem suas próprias conclusões. Se comento uma notícia ou analiso um fato, ofereço minhas próprias conclusões. Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente. Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for não é jornalista”.

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