Seja bem vindo e esteja bem informado!

*** Todas as postagens e fotos deste blog podem ser reproduzidas desde que sejam atribuídas autoria e fonte, conforme Lei Federal de Direitos Autorais nº 9610 de 19 de fevereiro de 1998. Dúvidas, acesse o site da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (Apijor): http://www.autor.org.br/ ***

as

09 abril, 2009

QUESTÃO DE ORDEM: JORNALISTA SÓ COM DIPLOMA!




Quero manifestar aqui minha opinião a respeito da questão da obrigatoriedade do diploma de nível superior em Jornalismo. Não há o que debater. É profissão, tem regulamentação, há centenas de universidades de Jornalismo no país. Há também milhares de “aventureiros”, “jornaleiros”, “joão-ninguém” que acham que podem exercer a profissão de Jornalista sem diploma.
O artigo 4º, inciso III do Decreto 83284 de 13 de março de 1979 da Regulamentação Profissional é claro: “O exercício da profissão de jornalista requer prévio registro no órgão regional do Ministério do Trabalho, que se fará mediante a apresentação de: diploma de curso de nível superior de Jornalismo ou de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, fornecido por estabelecimento de ensino reconhecido na forma da lei, para as funções relacionadas nos ítens I a VII do artigo 11”.
O STF aplicou o 1º de abril aos Jornalistas e o dia 07 (Dia Nacional do Jornalista) veio com frustração. Mas as campanhas acirradas, o empenho e as manifestações são fortes e não tenho dúvidas quanto à vitória no que diz respeito ao Recurso Extraordinário 511961 e futuramente em relação ao Conselho Federal de Jornalismo.
Chega a ser ridículo ter que debater ou argumentar sobre a questão. Como diz o texto da Fenaj, publicado no site do Sindicato dos Jornalistas do RS, “A regulamentação, em seu formato atual, é fundamental para garantir o direito à informação qualificada, ética, democrática e cidadã para toda a população. A falácia e a confusão deliberada, na verdade, escondem o objetivo de desorganizar uma categoria, ampliando ainda mais as condições de exploração e o propósito do controle absoluto sobre o acesso à profissão e, por extensão, das consciências dos jornalistas e de todos os cidadãos”.



Para ser médico, advogado, engenheiro e jornalista todos têm que cursar uma universidade, adquirindo conhecimentos teóricos, técnicos e éticos que norteiam cada profissão. Eu, jornalista, não posso resolver amanhã me tornar advogada porque não fiz faculdade de Direito. Não posso amanhã me tornar cirurgiã, porque não fiz faculdade de Medicina. Se eu, ou qualquer outra pessoa assim proceder, no mesmo dia iremos parar na cadeia por crime de exercício ilegal da profissão, o que é justo. Quem sabe algo de Direito sem cursar faculdade? Quem sabe algo de Medicina sem cursar faculdade? Assim como milhões de colegas, fiquei quatro anos ralando, suando, trabalhando 20 horas por dia para pagar o curso, ter um diploma e exercer a profissão que escolhi por amor à democracia, à cidadania e à sociedade, com diploma, conhecimento e ética.


Há os que argumentam que mais importante que ter diploma é ter dom. Vamos combinar: se dom dá direito a exercer uma profissão sem diploma ninguém com aptidão para qualquer profissão precisa cursar faculdade. Alguém com “dom” para advocacia faz o que? Saem por aí advogando? Não! As pessoas que conheço com dom para o Direito entram para a Universidade. E os que têm “dom” para a Medicina, saem por aí operando pessoas? Não! Entram para a faculdade! Eu nasci com “dom” para o Jornalismo e entrei para a universidade.
Outra desculpa sem o mínimo de sentido é dizer que a pessoa tem o “dom”, mas não tem dinheiro para cursar a faculdade. Falta de dinheiro dá o direito de sair por aí exercendo uma profissão ilegalmente? Já imaginaram se por falta de dinheiro para cursar faculdade, 90% dos médicos que conhecemos não tivessem diploma? Vocês confiariam sua saúde e suas vidas a alguém que tem “dom”?
 
O presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, José Maria Rodrigues Nunes, escreveu na edição nº 89 de abril de 2009, do jornal Versão dos Jornalistas o seguinte: “com o fim do diploma termina também a regulamentação profissional. Por exemplo, as 5 horas diárias de trabalho, que nos diferencia de muitas categorias, cai por terra. (...) Além disso, a base salarial passa a ser o mínimo nacional”. Imaginem: depois de gastar aproximadamente R$ 100 mil reais com faculdade, livros, transporte por quatro anos, formatura, festa, fotos e ralar para ter um diploma e salário ridículo cujos pisos na capital e no interior são, respectivamente, R$ 1.314,00 e R$ 1.087,73, passar a ganhar o mínimo nacional que ainda é menor que o mínimo gaúcho?!


Pior que isso é o caos completo sem conhecimento, sem ética, sem valores. A sociedade poderia confiar em uma notícia apurada por um joão-ninguém, depositando credibilidade em quem nunca estudou o mínimo de princípios? Que garantia teria a sociedade da qualidade, da veracidade e importância social da informação? Jornalistas estudaram todas as teorias exigidas para o exercício saudável e comprometido da profissão. Sabem como noticiar, o que noticiar, por que noticiar, quando noticiar.

Se com a obrigatoriedade os aventureiros semi-analfabetos saem por aí achando que podem exercer a nossa profissão, imaginem sem ela! São inúmeros os casos onde qualquer um acha que pode virar jornalista do dia para a noite, e ainda cruzam com os jornalistas verdadeiros de peito estufado. Cobrir eventos com eles então? Chegam nos chamando de colegas, achando que têm cacife para dividir o mesmo espaço. Dá até pena, confesso. Se a profissão é exercida por quem não tem diploma, mas tem dom e tino jornalístico, ainda vai, pois a paixão os move sempre a buscar mais conhecimento, a se interar da realidade e da atualidade.

Eu conheço muitos aventureiros e aventureiras. Claro que não podemos generalizar, obviamente há muitos "sem-diploma" com competência e que realizam um trabalho sério e ético. De qualquer forma estão exercendo ilegalmente uma profissão. Porém, enquanto a questão não é definida dá para aturar os que têm tino para o negócio. Mas pegar um jornal feito por um "joão-ninguém" sem dom é deprimente. Os erros são inúmeros. Não há notícias, só crônicas. As informações são anotações do dia em que “o causo” foi “fofocado” para a vizinha. Verdadeiramente deprimente. Grafia errada, gramática zero, adjetivos fazendo festa e, o pior, a ética comprou uma passagem só de ida para o Alasca.
São incontáveis os casos em que usa-se o filho sagrado de todo JORNALISTA DE VERDADE para subornar, oprimir, extorquir e ameaçar em benefício próprio. Já presenciei isso de camarote. Sim, a não obrigatoriedade do Diploma é uma ameaça à democracia, ao exercício da cidadania, à qualidade da informação ética e comprometida.

Estamos em um país em que o presidente da república, que digamos de passagem é analfabeto, prefere mudar a gramática a investir em educação.
Aguardo ansiosa pela votação no TSF, na qual tenho certeza de que seremos vitoriosos. A minha primeira providência será acionar o Sindicato dos Jornalistas e apontar com enorme prazer os que praticam a profissão ilegalmente.


RESPEITE O PROFISSIONAL QUALIFICADO POR DIREITO, DOM E FORMAÇÃO. É O PRINCÍPIO. JORNALISTA ASSIM COMO MÉDICO, ADVOGADO, ENGENHEIRO: SÓ COM DIPLOMA!!!!

Nenhum comentário:

PERFIS FALSOS NO ORKUT ACABAM EM CADEIA!