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19 abril, 2005

Paulo Markun: paixão e controvérsia

“Essa profissão tem que servir para mudar o mundo, se não for para isso não adianta”.


Na última terça-feira (12/04), o Jornalista Paulo Markun esteve na Unisinos palestrando para os alunos de Comunicação Social, no Auditório de Ciências Jurídicas.

Markun nasceu em São Paulo em 1952 e é jornalista profissional há 34 anos. Atualmente apresenta o programa Roda Viva da TV Cultura e é presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina (Santacine), onde reside desde 1998.

Há sete anos no emprego atual, só pediu licença por quatro meses para fazer a campanha eleitoral do Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Experiência

Markun contou um pouco de sua experiência como repórter, falou sobre o avanço tecnológico da informação, das qualidades de que um jornalista precisa ter para se dar bem na profissão, das dificuldades enfrentadas e do desafio dos portais de notícia e dos jornais impressos.

Paixão

Paulo Markun lamenta que o fator determinante na comunicação hoje seja o lucro e incentivou os estudantes a encararem o mercado de trabalho como um desafio. Para ele o bom jornalista tem que ter ambição, ousadia e determinação. “Para mim o Jornalismo era um complemento das atividades para mudar o mundo, mas com o tempo passou a ser a atividade principal”.

Por discordar da política editorial de alguns veículos midiáticos nos quais trabalhou, muitas vezes pediu demissão, e revelou que detesta fazer reportagem policial, principalmente na TV: “Não devemos arriscar o pescoço por uma notícia que não vai mudar nada no mundo, muito menos para dar audiência”.

Controvérsia

Um dos pontos mais polêmicos da palestra e que desagradou muitos alunos presentes foi quando Markun disse que é contra a obrigatoriedade do diploma na profissão. "Não vejo nada que impeça uma pessoa que não cursou faculdade de ser jornalista”.

Ele também critica o projeto para a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), mas admite que o debate em torno da questão foi demonizado pela grande mídia em prol de seus interesses econômicos e finaliza: "se querem mudar alguma coisa que regulamentem o artigo 222 da Constituição".

OPINIÃO

A palestra de Paulo Markun gerou polêmica entre os presentes e divide a opinião dos universitários.
Se em determinado momento ele transmitiu aos alunos a paixão pelo jornalismo, dando incentivo e inspiração para os futuros profissionais, em outro causou revolta.

Quando Markun declarou que é contra a obrigatoriedade do diploma acadêmico alguns alunos se retiraram do recinto (inclusive eu).
Ora, é fácil falar para quem já é formado! Imaginem se qualquer um resolver ser médico de um dia para o outro, sem faculdade para isso, claro. Você entregaria sua vida nas mãos desse aspirante à profissional? Bem para isso existe um Conselho Federal de Medicina.

Bem, se Paulo Markun não sabe o que impede que qualquer um atue no jornalismo mesmo sem ter diploma, eu respondo: é o fato de investirmos nosso precioso e muitas vezes escasso dinheiro em anos de faculdade!

Conheço três pessoas que se dizem jornalistas, são donas do seu próprio jornal e talvez não tenham nem o segundo grau. Além de elas ocuparem o lugar de profissionais no mercado de trabalho eu pergunto: podemos confiar em veículos que publicam informação sem o mínimo de teoria para isso? Sem falar na qualidade e na ética desse jornalismo, claro!

Bem, em minha opinião há um meio eficaz e realmente necessário para a solução desse problema: a aprovação do Conselho Federal de Jornalismo.

Afinal somos nós quem devemos decidir e lutar pela nossa futura profissão. Paulo Markun já está quase se aposentando!!!

Tatiana Vasco

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